coisas do arco-da-velha

(quando a velha põe o arco à chuva, depressa enxuga)

colectânea de frases, brocardos, ditos, locuções, florilégios, motejos, historíolas, prolóquios, sentenças, idiotismos, mandingas, imagens, photographias, sonoridades, traslados e mais afins, a propósito aqui trazidos, de livros, almanaques, jornais, revistas, pasquins, folhas ou outros publicantes e adaptados com a intenção de divulgar e preservar o espírito, o saber e mais as landainices, parlapatices e outras lérias populares

 

19 de Maio de 2013

a Justiça de D. Pedro I

D. Pedro I foi dos mais controversos reis da nossa História. De temperamento tempestuoso, imprudente e errante. Talvez, o traço mais marcante do seu carácter tivesse sido no trilho das suas indefinidas e violentas paixões que o levaram, se bem a ser mais conhecido por um Romeu com a sua Inês ('a que ‘mísera e mesquinha que depois de morta foi rainha’, no dizer de Camões) de Julieta travestida, bem depressa os rosados cetins se toldam se nos detivermos na sua esquisita paixão pelo seu escudeiro a quem ‘amava mais do que aqui se deve dizer' (Fernão Lopes).
E mais poderia vir aqui a propósito, não fosse este o referir uma outra faceta, ao que parece, de quando em vez, bem marcante da sua polémica personalidade: a de ministrar a justiça bem a seu jeito, ou seja, de modo pouco ortodoxo. Pelo menos...
Refere Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno, um facto que, a ser verdadeiro, espelha bem a forma excentricamente justiceira que seria apanágio daquele monarca.
D. Henrique Silva, cónego da Sé de Évora, matou um sapateiro à bordoada, segundo uns, porque ele lhe fez uns sapatos que não lhe agradaram, e segundo outros, porque aquele (o sapateiro) se opunha aos avanços lascivos do cónego para com a sua mulher.
O juiz da cidade, amigo do clérigo, entendeu por único castigo, condenar o assassino, a ‘não assistir ao coro por espaço de um anno’.
Tempos depois, um filho do sapateiro, para vingar a morte do seu pai, assassinou o cónego à punhalada, em plena rua, por ocasião de umas festas. Foi, por tal motivo, preso e, depois, condenado a ser esquartejado vivo.
D. Pedro I, que então se achava em Évora por causa das festas, informou-se das razões que tinham levado o rapaz a cometer tão hediondo crime, e inteirado de toda a história, avocou a si o processo, revogou a sentença, e condenou o criminoso ‘a não fazer sapatos durante cem annos’.
Refere, em nota, Pinho Leal: o rapaz era pedreiro.      

pesquisa e adaptação de tinta permanente, publicado às 13:32
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29 de Abril de 2013

Torre dos Clérigos, Porto
(duzentos e cinquenta anos)

(...) Este templo, que dá celebridade ao Porto pela sua elevadissima e grandiosa torre, teve principio em 1732 no alto de uma calçada n'esse tempo chamada da Natividade. Foi fundado por uma irmandade de clerigos, em que entravam alguns seculares das principaes familias da cidade. O risco e execução dos trabalhos foram dirigidos por Nicolau Nasoni, architecto italiano.
Concluiram-se as obras em 1763 sendo tão demoradas tanto pela grandeza da fabrica como pelas avultadas sommas que annualmente consumiam. Verificou-se a sagração do templo no dia 12 de dezembro de 1779, sendo celebrante o bispo do Porto, D. Fr. João Raphael de Mendoça, filho do quarto conde de Val de Reis. Foi dedicada a egreja a Nossa Senhora da Assumpção, mas como o povo começasse a denominal-a durante a sua construcção, egreja dos Clerigos, ficou-lhe este nome popular pelo qual hoje é designada e geralmente conhecida. Da egreja passou tambem este nome para a calçada.
Por todos os lados se acha desaffrontado este edificio religioso. O fronstispicio olha para léste, e ergue-se no topo da calçada dos Clerigos. As lateraes estendem.se por duas ruas; e a frente oposta á principal que é formada desde os alicerces pelo edificio da torre, deita para um largo. (...)
(...) A torre com os seus setenta e cinco metros de altura levanta-se garbosamente, sobresaindo a todos edificios da cidade, e servindo de balisa aos navios que demandam a barra do Douro, pois que se avista dez legoas de distancia da costa. Tambem pela mesma razão offerece aos viajantes que subirem os 240 degraus da sua escada espiral interior um admiravel ver da cidade, dos seus formosos arrabaldes, de longinquas cordilheiras de serras, do rio, e Oceano. (...)
(...) Ao alto da torre, do lado occidental, uma inscrição em latim recorda a sua construcção ‘a prima usque ad ultimam lapidam templi, tam oeque turris. Nicolau Nason construxit anno MDCCXXXII, complevit anno MDCCLXIII.’ (...)
(publicado no centenário, ano de 1863)

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canho, apólida, nemetano, retratador, golipão, estupofóbico, nervino, exúbere, vilão, manés, alóctone, curumim, escarolado, querendão, rimador, tartufo, pirrónico, andarilho, filógino, falto, probo, cônscio, morigerado, achegado, revel, pegado, lisproso, gosma.

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