o quiosque da Praça Nova....
A propósito destes dois, abaixo, últimos escritos sobre a gorada revolução de 31 de Janeiro de 1891, a nossa amiga APC perguntava (...)mas esse tal de quiosque era o da Praça da Liberdade? Se sim, ainda existe, certo?(...).Era, sim senhora, o quiosque da então chamada Praça Nova, hoje dita Praça da Liberdade. Exisitir, exisitir, isso é que não! Nem a Praça (a Nova) existe!...
A Casa da Câmara foi demolida, algumas ruas e ruelas adjacentes também, para que nascesse a Avenida dos Aliados, tal qual como hoje se conhece (é verdade que a avenida era para ser bem mais comprida, mas um desaguisado, nunca resolvido, com o Bispo por causa da Igreja da Trindade, acabou com a implantação da Câmara mesmo à frente da Igreja da Trindade. Até hoje...).
Mas voltando à Praça Nova, e ao quiosque (que se pode ver, embora só metade, à direita da fotografia, mesmo em frente à estátua de D. Pedro IV). Era seu proprietário uma figura curiosa e bem conhecida. Chamava-se Sebastião e, na efervescência política da altura, entendia por melhor mostrar-se correligionário de todos os seus fregueses. O quiosque, como tod
os os outros que havia na cidade (e que, um a um, foram todos destruídos!...) vendia toda a espécie de quinquilharia e, naturalmente, jornais. E, está bom de ver, jornais de todos os partidos (que eram bem mais dos que por agora existem...). Então o velho Sebastião (mais tarde, desta forma, aqui ao lado, assim caricaturado, num desses pasquins de ocasião), de barrete judaico na cabeça calva, perinha branca como era hábito aos filhos de Israel, sempre que alguém procurava um jornal, fosse ele de que partido ou cor fosse, respondia invariavelmente, com um sorriso amável e um afectuoso cumprimento: 'Pronto! Cá está o nosso jornalzinho para o ilustre correligionário. Tenha um bom dia!'. Dobrava, metia o dinheiro ao bolso e agradecia.Ou seja, o Sebastião, era correligionário de todos os seus clientes!
Morreu pelos anos vinte. Deitaram o quiosque ao lixo e, mais ou menos no mesmo sítio, veio a nascer uma casota que vendia bilhetes para o boxe, no Palácio de Cristal...
Depois, muito tempo depois, a Praça Nova que já era Praça da Liberdade, junto com a Avenida dos Aliados, ficaram cinzentas... como as ratazanas.

